Princípios

A instituição parte do princípio que é necessário estimular a produção de comunicação popular porque há um problema com o atual sistema de comunicação do país (e do mundo), visto que os meios de comunicação de massa, que ocupam a atenção de milhões de pessoas diariamente, influenciam cada vez mais as discussões do nosso dia-a-dia, a nossa visão de mundo e o desenvolvimento dos nossos valores e da nossa cultura.

A questão é que são poucos produzindo comunicação para muitos e que muitas vezes interesses políticos e econômicos são levados em consideração em detrimento de direitos humanos fundamentais. A mídia atual limita a produção de comunicação às grandes redações dos jornais, priorizando os fatos nacionais em detrimento dos regionais, dando uma forma homogênea a um país com território continental como o Brasil. Além disso, esse formato de distribuição de informações reforça estereótipos, não dá a devida importância à diversidade cultural, e contribui muitas vezes para a cultura do consumo desenfreado e da discriminação de negros, mulheres, homossexuais e pobres.

Nesse sentido torna-se fundamental questionar o uso comercial que os grandes veículos fazem das concessões públicas de rádio e TV, bem como estimular a produção de mídias populares que possibilitem uma comunicação – direito humano indissociável dos outros – mais acessível, que atenda integralmente aos interesses da sociedade, assegure a pluralidade de vozes desta e contribua para uma sociedade mais democrática.

Atualmente os veículos de comunicação de massa são os responsáveis pela criação da realidade e pela determinação da pauta de discussão cotidiana, ou seja, algo passa a existir, hoje, ou deixa de existir, se é, ou não, veiculado pela mídia. Considerando que determinados lugares, grupos e atores periféricos não obtêm da mídia massiva a atenção narrativa esperada, ou seja, são espaços e jovens estigmatizados pela violência, criminalidade e falta de acesso a serviços básicos, quase sempre taxados como bandidos e vagabundas, é preciso dar voz a esta juventude a fim de possibilitar uma outra leitura sobre suas realidades.

Segundo o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, publicado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e Cultura, o Espírito Santo possui a segunda maior taxa de homicídios do país, ocupando a terceira posição no ranking de homicídio de jovens. A região de atuação da instituição corresponde a um dos setores mais violentos da cidade, que sofre com a negação de direitos por parte do poder público, e também com o que podemos chamar a invisibilidade social, uma vez que o olhar da mídia sobre a região parte apenas da espetacularização da tragédia, e não da reflexão.

Desse modo, a mídia tem uma intervenção direta na forma como a comunidade se vê e como é vista por outros grupos. Quando falamos sobre a abordagem midiática, mais do que simplesmente registrar fatos do cotidiano, estamos tratando de uma questão de construção da memória coletiva e de identidades, ou seja, construção de culturas. É através da cultura que se delineia, simboliza e classifica o mundo. Se a produção da comunicação não ocorre a partir das próprias comunidades, mas pelo contrário, essa produção é realizada por outros atores, consequentemente, os membros da comunidade narrada perdem o domínio de suas lembranças. Acreditamos que se deixar narrar é deixar que outros digam o que é importante e o que não o é, o que será lembrado e o que será esquecido da história da comunidade em questão.

Por isso, o que diferencia a mídia popular da grande mídia tradicional é o fato de todo o processo de construção da pauta, seleção dos assuntos que serão abordados, escolha do enfoque e da forma como esse assunto será tratado na produção das diversas mídias, ser realizado coletivamente, uma vez que a ideia é substituir o conceito de público-alvo para público participante, ou seja, a juventude deixa de ser apenas receptora de informações e passa a ser também emissora.

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